Este Blog tem uma íntima relação com a leitura, pois dele participam professores que amam os livros!
Ele faz parte das atividades de um curso online da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, para os professores da rede. É o programa“PRÁTICAS de LEITURA e ESCRITA na CONTEMPORANEIDADE.”
Faça novas visitas ao nosso Blog, que estará sempre esperando por você, que, assim como nós, viaja na leitura.
Estou lendo um
livro de Rubem Alves e com diversos
contos. Entre
eles esse que adorei e resolvi postar para vocês!
Espero
que gostem...
Pérolas
As pérolas são uma ferida curada. Pérolas são produto da
dor,
resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da
ostra,
como um parasita ou um grão de areia.
A parte interna da concha de uma ostra é uma
substância lustrosa chamada nácar.
Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e
cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo
indefeso da ostra.
Como resultado, uma linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola
é uma ferida cicatrizada.
Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo?
Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas ?
Então produza uma pérola... Cubra suas mágoas e as rejeições sofridas com
camadas e camadas de amor.
Todos nós temos experiências de vida com a leitura. Cada um de nós desenvolveu o gosto pela leitura através das experiências vividas, compartilhadas...através do encanto e da magia que uma bela história pode proporcionar.
Abaixo, seguem relatos de experiências com a leitura vividas pelos professores que colaboram com este Blog.
“Minha experiência com a leitura começou bem antes dos cinco anos de idade. Lembro-me bem que meus dois irmãos mais
velhos liam gibis, livros e revistinhas e se divertiam e riam muito. Eu também
queria ter esse prazer! Mas só conseguia compartilhar dessa alegria quando
alguém se dispunha a ler para mim.Então, na ânsia de ler sozinha, pegava os
gibis e ia inventando as histórias, através das imagens verificadas nos
quadrinhos. Imaginava, falava...e minha mãe ouvia, atentamente. Aos cinco anos
comecei a ser alfabetizada por minha mãe, e aos seis fui para a escola... que
orgulho!
Lembro-me perfeitamente do dia
em que li, literalmente, pela primeira vez! Senti que uma janela se abriu para
mim...uma luz forte, como um sol, se acendeu...senti uma alegria
indescritível!!!Uma das maiores da minha vida!!!Algo que me marcou com um
símbolo de liberdade, de profunda alegria... A partir daí, tornei-me uma
devoradora de livrinhos, almanaques, gibis, revistas, bíblia,
enciclopédias(adorava quando as professoras pediam para fazer pesquisas), e até
bulas de remédios...kkk...
Ler tornou-se um hábito, um prazer, uma verdadeira necessidade em minha
vida. E, aliado ao hábito da leitura, veio o hábito de escrever.Escrevi muitas
e muitas páginas de diário, muitas histórias de aventuras infantis e, mais
tarde, muitos outros tipos de texto.
Tive uma professora na 6ª
série, chamada Fátima, que foi inesquecível! Ela nos fazia mergulhar no
universo mágico da leitura e da escrita, incentivava, elogiava, compartilhava o
seu prazer pela leitura e pela escrita. Parece que ela era como uma fada, que
tinha um poder especial, que todos nós, seus alunos, queríamos ter também. E
apesar do pouco poder aquisitivo de minha família, e do fato de meus pais terem
feito apenas até a 4ª série, eles sempre se esforçaram para proporcionar aos
seus filhos uma oportunidade de educação através dos livros.
Frequentávamos muito a
biblioteca municipal, que por sinal tinha um acervo muito precioso! Hoje, tento
transmitir isso ao meu filho e aos meus alunos. Primeiramente pelo exemplo,
depois pelo incentivo. Sinto que tenho conseguido alguns resultados positivos.
Não é tarefa fácil! Mas não desisto...Continuo tentando lançar a
sementinha...Um dia elas germinarão...Tenho certeza!” (Ana Maria Lenci Bordinhão)
“A minha mãe foi quem fez com
que eu gostasse de ler. Ela lia tudo que chegava até ela e como não havia
dinheiro para os livros ela lia todos os livros de bolso que o meu tio (que
também gostava de Ler) trazia para casa, depois romances emprestado dos
vizinhos que nós também líamos. A primeira vez que percebi o quanto a leitura
auxilia no vocabulário, foi quando a minha mãe que gosta muito de conversar
usou o termo horripilante e eu aos quatorze anos de idade, ri e disse a ela que
tal palavra não existia. Ela fez questão de emprestar um dicionário, pois não
tínhamos em casa e provar que a palavra horripilante existia e qual era o seu
significado e foi quando ela me disse que conhecia palavras diferentes graças
ao hábito de ler. Aos quinze anos comecei a trabalhar e comprava os mais
diferentes tipos de livros: de autoajuda, espírita, policial, romances e tudo o
que me chegava às mãos.
Lendo os mais diversos tipos
de livros viajei a muitos lugares desconhecidos e a leitura sempre me fez bem.
No segundo colegial, como era chamada a segunda série do ensino médio, a
professora promoveu um debate sobre o livro Iracema. Eu era muito tímida e, no
entanto fui capaz de defender a visão que eu tive do livro com muito ardor.
Vale ainda mencionar que os livros
trazem mensagens diferentes dependendo da época em que são lidos, pois voltei a
ler Iracema quando tinha uns trinta anos e a paixão que ele causou em uma
adolescente na mulher adulta até a visão do livro mudou.
Meu pai também teve muita influência pelas estórias que ele contava que
na maioria das vezes era fruto de sua imaginação. A leitura foi a minha melhor
companheira em determinadas épocas de minha vida e a minha mãe e o meu pai
fizeram com que eu gostasse de ler e gostar do mundo da imaginação.” (Sônia
Maria Bertozzi Bernardo)
“O meu gosto pela leitura foi
inspirado em meu pai, não porque lia muito e sim porque gostava de contar
histórias. Lembro-me de quando nós todos, os filhos, sentávamos em sua volta na
expectativa de uma nova história e quase sempre pedíamos para contar uma que já
havia contado.
Que saudade! Isso me despertou a
vontade de ler para fantasiar e vivenciar o momento de cada história, pois é um
momento que me acalma e me faz sair da rotina.
Sempre gostei de ler e escrever,
tive diários para relatar cada momento da minha vida e também um caderno de
poesia que me inspirava...por isso, no fundo, sei que sou professora porque
sempre gostei de ler e escrever e sou comunicativa.
E, assim como meu pai, passo pra
minha filha e meus alunos a bagagem de histórias que tenho pra contar.” (Lana
Cristina dos Reis Oliveira)
“A minha relação com os
livros remonta a minha infância. Desde
que me entendo por gente eu me vejo rodeado por livros. Sempre tive acesso a livros, não só livros
didáticos dos meus irmãos mais velhos, mas também alguns romances, assim como
jornais e revistas.
Recordo-me que por causa desse
hábito, eu me sobressaia nas composições, era esse o nome que se dava às
produções de texto naquela época.
Naquela época eu não tinha noção
da importância da leitura, para mim era simplesmente uma atividade para passar
o tempo. Atualmente a minha consciência da importância da leitura é notória.”
(José Antonio Piola)