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domingo, 4 de novembro de 2012

Atividade sobre gêneros textuais - Módulo 3

Gênero de leitura e escrita - Interrogatório
As diferenças relativas ao contexto de produção geram diferenças na estrutura dos próprios textos produzidos. Assim, a tarefa do grupo foi desenvolver um interrogatório, a partir de um segmento de informações referente a: "Um interrogatório que supostamente aconteceu horas depois dos eventos enumerados e é presidido pelo delegado junto a você, pessoa que encontrou o cadáver."
 
O cadáver da rua Padre Amaro


 

Aos 29 dias de outubro de 2012, compareceu ao 20º distrito policial que se localiza na rua Marechal Deodoro, 320, a Senhora Madalena Peixoto para prestar esclarecimentos sobre um fato ocorrido. A polícia encontrou um cadáver em frente a porta de sua residência que se localiza na rua Padre Amaro, 32.


Delegado: Nome completo, idade, nome da rua onde mora e quanto tempo reside?
Madalena: Meu nome é Madalena Peixoto, tenho 36 anos, moro na rua Padre Amaro há mais de 15 anos.
Delegado: Mora sozinha?
Madalena: Sim, sou solteira
Delegado: A senhora pode relatar o fato?
Madalena: Sim. Acordei às 6:30h como de costume, fui ao banheiro, tomei banho, escovei os dentes, tomei café e me preparei para ir ao trabalho. Foi quando a campainha tocou, fui até a porta, abri e me deparei com uma pessoa caída na soleira...levei um susto! Olhei para os lados se via alguém , não vi ninguém e toquei nela para saber o que estava acontecendo, pois senti seu corpo frio, percebendo então que seria um cadáver... fiquei desesperada! De primeiro momento fiquei sem reação, mas logo me veio a ideia de ligar para a polícia. Fechei a porta e fiquei esperando a chegada da polícia. Quando ela apareceu eu estava muito nervosa, pois nunca havia passado situação parecida, então confirmou que era um cadáver. Contei o que havia acontecido e fiquei esperando as decisões posteriores.
Delegado: A senhora conhecia a vítima?
Madalena: Não. Nunca vi.
Delegado: Como posso saber se está falando a verdade se foram identificadas suas digitais no cadáver?
Madalena: Mas Senhor Delegado, minhas digitais estão no cadáver porque toquei nele para saber o que estava acontecendo.
Delegado: A senhora tem amigos?
Madalena: Sim. Não muito, mas tenho.
Delegado: Alguém mais estava com você no momento em que se deparou com o cadáver?
Madalena: Não. Como já disse no início, moro sozinha.
Delegado: Mas não tinha ninguém com você no momento?
Madalena: Não.
Delegado: Por que iriam colocar um cadáver na porta da sua casa?
Madalena: Não sei, talvez por engano ou o assassino resolveu largar logo em qualquer lugar antes que alguém aparecesse.
Delegado: Qual foi o comentário dos vizinhos?
Madalena: Olha senhor delegado, uns falam que é envolvimento com o tráfico (dívida), outros falam que é amante, mas pelo que percebi ninguém conhece o cadáver.
Delegado: Pois bem, senhora Madalena, o interrogatório está encerrado no momento, mas a senhora deve ficar a disposição para ser chamada novamente, se precisar. Muito obrigado pelos esclarecimentos.
Madalena: Por nada senhor. Estarei sim a disposição pelo que precisar, pois não tenho nada a temer.
Lana Cristina R. Oliveira





 E, como todo ponto de vista é a vista de um ponto...
Os mesmos dados iniciais geraram um novo texto... um novo interrogatório...
Acompanhe a leitura...

                       

                     Um  Pesadelo que Varou o Dia



          Eu mal havia acordado... E, ainda trêmula pelas lembranças do pesadelo de uma noite inteira, olhei no relógio...

          ___ Atrasada?! De novo!!!

     Cambaleando de sono, corro ao banheiro para escovar os dentes...Mal olho pro espelho...E, quando estou enxugando o rosto, apressada, ouço a campainha tocar.

          ___ Quem será? A essa hora!!!...Não posso atender...já estou atrasada!!!

          Saio do banheiro decidida a não ver quem tocou a campainha. Mas não resisto...vou até a porta e destranco a fechadura. Quando a porta se abre...

          ___ O que é isso???!!!

          Quase morri de susto ao ver aquele corpo estendido junto à soleira de minha porta! E não havia ninguém no corredor...Dou alguns passos...e confirmo a ausência de qualquer pessoa que pudesse me explicar o que havia acontecido.

          ___ Não! Comigo, não! Quem será essa criatura?!?!?!

          Aos poucos vou me abaixando, meio ressabiada, para tentar identificar sinais de vida naquele homem. Impossível! O corpo estava frio...e rígido!!!

          ___ Um cadáver...em minha porta!!!...E a essa hora! E agora??? Será melhor avisar a polícia???

          Corro para o telefone: 1, 9, 0 ...

        ___ Alô, é da polícia? A-aqui é é é a A-Amélia... Pre-ci-so fazer uma de...de...denúncia...

     Nem sei como conseguiu falar o que havia acontecido. Imediatamente fui orientada a não mexer no corpo, que a polícia já estava a caminho.

         Algum tempo depois...o próprio delegado chega em minha porta:

             ___ Senhora Amélia, como encontrou o corpo?

            ___ Como assim, como encontrei? Eu já disse... Apertaram a campainha do meu apartamento às 7:45h... eu já estava atrasada para o trabalho, quase não atendi à porta...

          ___ E o que fez com que a senhora se dirigisse à porta e a abrisse?

          ___ Pensei que poderia ser algo importante... Algum vizinho precisando de ajuda... Eu já ia sair para o trabalho...sou balconista em uma loja de moda, na Rua José Paulino, no Bairro Bom Retiro...Não posso chegar atrasada, senão perco o emprego...E o senhor sabe, né? Emprego tá difícil!!...

          ___ Deixa de lero-lero... Quero saber a respeito do corpo... Como chegou até ele?

          ___ Então, após atender à campainha que havia tocado, ainda de pijama, me deparo com esse homem caído aos meus pés... e não havia ninguém que pudesse me explicar o que havia acontecido...

          ___ Como a senhora sabe que não havia ninguém?

          ___ Eu olhei ao redor... dei alguns passos pelo corredor do 3º andar... nem sinal de uma viva alma!

          ___ E então? Como descobriu que ele estava morto? Ou não estava?

          ___ Claro que estava!!! Ao me abaixar, para tentar verificar nele algum sinal de vida...percebi que o corpo estava frio...e rígido...Imediatamente liguei para a polícia!!!

     ___ Como podemos saber que a senhora está falando a verdade?... E não é a própria assassina???

       ___ Mas moço... Quer dizer... Seu Delegado... Eu não estou mentindo!!! Olha, até perdi o dia de serviço para ficar aqui e explicar o que aconteceu...

         ___ Precisamos instaurar uma diligência... Investigaremos seu apartamento em busca de pistas... Qual é o seu endereço?

       ___ É...Rua Argemiro Manzatto, nº319, apartamento 301, 3º andar... Edifício Flor do Ypê...

          ___ Qual é o bairro?

          ___ Lapa...

       ___ Sinto muito informar, senhora, mas hoje não pode mais voltar ao seu apartamento... Siga daqui para a casa de algum amigo ou parente... Temos que interditar o local para as investigações...

          ___ Como assim??? Eu não tenho nada com isso!!! Apenas abri a porta do meu apartamento, às 7:45h da manhã, e topei com este cadáver aos meus pés!!! E agora, sou suspeita de um crime que não cometi??? Não é possível!!!

         ___ Nós vamos checar as evidências do crime... Quem não deve não teme... Por que está tão nervosa?

         ___ Por quê?????? Eu só queria ajudar... e agora me tornei suspeita!!!!!! E acho que já estou desempregada... Ai, meu Deus!!! Bem que tive pesadelos a noite toda!!! Algo me dizia que hoje o dia não ia ser nada bom!!!...

          ___ Para tirar da dúvida: a senhora conhece este indivíduo?

          ___ Claro que não!!! Nunca vi mais gordo!!!

         ___ Aguardo a senhora às 14h, na delegacia, 32ª DP, no Brás, Rua Xavantes, nº1890, para prestar um depoimento oficial...

          ___ Tem certeza de que eu preciso ir? Já não declarei tudo o que sabia??? Por que preciso fazer isso de novo???

          ___ É praxe! O depoimento deve ser oficial. E a senhora é a única testemunha ocular que temos em relação ao fato.

    Apertei, ansiosamente, a campainha da minha vizinha Lourdes...Nada... Ninguém em casa...Me desesperei... Já eram 11;37h...Nem café da manhã eu havia tomado... Resolvi descer e comer alguma coisa no boteco do Seu Argemiro... Com certeza ele me deixaria comer e pagar depois... E não se importaria de eu ficar ali, até a hora de pegar o ônibus e ir para a delegacia... Imagine!!! Eu... prestando depoimento na delegacia... correndo o risco de ser acusada de ser uma assassina de um crime que não cometi!!! Só por Deus...

     ... Peguei um ônibus lotado... Todo mundo com pressa, se esfregando para conseguir sair no ponto que queria... Mas, enfim, dez minutos antes do combinado, estava eu naquela delegacia horrorosa... Até que...

          ___ Dona Amélia, por favor, sente-se!

          ___ Boa tarde!

          ___ Vamos ao que interessa! Conte-nos tudo...

          ___ Seu delegado, como eu já disse, eu acordei atrasada, em plena segunda-feira... Já eram 7:45h... Mal lavei o rosto e escovei os dentes, ouvi a campainha tocar... Relutei , não ia atender... Iria me atrasar mais ainda... Mas resolvi abrir a porta... Foi quando me deparei com o cadáver de um homem...

          ___ Como sabia que era um cadáver?

        ___ Após olhar ao redor, e me certificar de que não havia mais ninguém no corredor do prédio, toquei no corpo e vi que já estava frio...

         ___ É por isso que encontramos suas digitais em várias partes do corpo dele...

          ___ Claro!!! O senhor acha o quê??? Que eu o matei??? Eu não sou assassina!!! (em prantos)

          ___ Eu não estou-lhe fazendo acusações... A senhora não precisa se exaltar!

          ___ O senhor quer que eu fique feliz!?!?!? Por encontrar um cadáver, em plena segunda-feira, às 7:45h da manhã, na porta do meu apartamento???

          ___ Confirme seu endereço, por gentileza...

          ___ É Rua Argemiro Manzatto, nº319, 3ºandar, apartamento 301, na Lapa, Edifício Flor do Ypê...

          Alguns minutos de silêncio se sucederam... O que ele estaria pensando? Será que achava que eu era a assassina? Como? Com certeza, não havia provas contra mim... Até que não aguentei mais...

       ___ O que foi, seu delegado??? Precisa de mais alguma informação? Eu apenas toquei no corpo do homem... vi que estava morto... e corri ligar para a polícia... Meu apartamento já está liberado???

          ___ Já, Dona Amélia! A senhora é uma mulher de sorte!

          ___ Por quê??? Como assim???

      ___ Foi encontrado, nesta manhã, nas imediações do seu prédio, duas quadras mais adiante, na altura do nº 580 da Rua Argemiro Manzatto, um criminoso que há muito tempo procurávamos.

            ___ Quem é ele?!?!?!?!?!

      ___É o energúmeno senhor Lucas Moreira... um assassino sanguinário... que mata homens solteiros, na faixa dos 18 aos 30 anos, e costuma ocultar o corpo deles, deixando-os na frente de alguma residência... Já encontramos as digitais dele no corpo do cadáver... a senhora está liberada.

          ___ Graças a Deus!!! Posso ir???

          ___ Claro! Passe bem...

          Saí correndo, sem nem me despedir... Que dia!!!... Amanhã vou retornar ao trabalho... Mas será que já não perdi o emprego???



                               Autora: Ana Maria Lenci Bordinhão





Então percebi que era um Cadáver...


Boa tarde, senhor Jones. Sou o delegado Julius e preciso fazer-lhe algumas perguntas.

-Pois não, doutor.

-Por que discou o número da Central de Polícia?

-Porque algo muito estranho aconteceu naquela manhã, que me deixou horrorizado,algo que nunca tinha visto antes. Somente em filmes e na T.V.

-Pois bem. Conte-me então detalhadamente, tudo o que houve antes de ter discado para a polícia.

-Era por volta das 05:45 da manhã. Abri os olhos quando ouvi a campainha da porta soar várias vezes. Estranhei, pois sempre acordo às 06:30h da manhã e nunca antes, a campainha havia tocado tão desesperadamente.

-Por favor, continue...

-Rapidamente levantei-me, fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, enxuguei-me e saí do banheiro.

-Ok! Estou entendendo... Pode ser mais direto, por favor?

-Sim, mas o senhor me pediu que falasse detalhadamente...

-Tá...Tá. Continue!!! - Caminhei até a porta para destrancar a fechadura, e...

-Há quanto tempo vive aqui?

-Há dois anos. Como estudo e trabalho aqui, tive que alugar esse apartamento. Ele fica próximo ao meu trabalho e à Universidade.

-Que curso o senhor faz?

-Faço Administração de Empresas. Pretendo ajudar meu pai nos negócios.

-Que negócios seu pai possui?

-Ele tem três lojas de materiais para construção.

-Onde ficam essas lojas?

-Em Brodowski, interior de São Paulo

-Mora aqui sozinho?

-Por enquanto sim. Mas na próxima semana virão dois amigos meus que irão trabalhar aqui. E também me ajudarão com as despesas do apartamento.

-Muito bem. Diga-me então, o que houve, quando destrancou a fechadura?

-Eu abri a porta e levei um susto quando vi um homem caído na soleira. Olhei rapidamente em torno e constatei que não havia mais ninguém no corredor.

-E o que aconteceu depois?

- Depois me abaixei, toquei o homem com os dedos, senti que o corpo já estava frio e rígido. E então percebi que era um cadáver. Desesperado, corri para o telefone e disquei o número da Central de Polícia.

-Depois que ligou para a polícia, conversou com mais alguém?

-Não senhor. Falei somente com a polícia.

Muito bem. Gostaria de relatar algo mais?

-Não senhor. Isso é tudo.

-Ok. Saiba que não poderá sair da cidade até que as investigações sejam concluídas. Isso significa que nos veremos novamente.

Por enquanto, obrigado senhor Jones.

-Disponha, Doutor Julius.

José Antonio Piola






Tá lá o corpo estendido no chão

Hoje, ao acordar olho o relógio na esperança de poder dormir um pouco mais, porém levantar é preciso. Vou ao banheiro, escovo os dentes, lavo o rosto e de repente, a campainha.
Considero um despropósito quem toca a campainha do outro logo de manhã, mas enfim pode ser alguém precisando de ajuda. Ao abrir a porta deparo-me com um homem caído na soleira da porta, levo um susto enorme olho para os lados e não há ninguém no corredor. Penso tenho que socorrer, quando tento chamar a pessoa, toco o homem com cuidado e percebo que o mesmo está gélido e rígido, outro susto, corro ao telefone e chamo a polícia. Tudo acontecendo em milésimos de segundos.
E na minha cabeça começou o refrão “Tá lá o corpo estendido no chão", ( música de Chico Buarque), repetindo sem parar.
Quando os policiais aparecem, começam as perguntas, relato de forma atropelada o que ocorreu.
Perguntam então:
___ Foi à senhora quem encontrou o corpo?
___Sim. Olha ainda estou de pijama. A campainha tocou e quando abri a porta deparo-me com uma pessoa que acredito estar morta pela rigidez e temperatura muito baixa.
___A Senhora conhece essa pessoa?
___Não, nunca vi mais gordo, nem mais magro.
___A Senhora ouviu alguma coisa durante a noite ou de manhã?
___Não. Tenho o sono pesado.
___A Senhora permite que tiremos a sua digital?
___O Senhor acha que tenho algo a ver com essa morte?
___Não. Por enquanto não, a digital é para poder excluí-la como suspeita.
___Então tudo bem.
___A Senhora mora sozinha?
___Eu e Deus.
____O nome completo da Senhora é.....
____Maria Eduarda Alves, RG 12535171.
____Será necessário entrarmos no apartamento da senhora. É possível?
____À vontade.
Após a revista no apartamento e coleta de marcas e vestígios da cena do crime. O policial disse-me:
____A Senhora deverá ficar a disposição da polícia para maiores informações caso seja necessário.
____Por acaso eu sou suspeita? Preciso de um advogado?
____Por ora a senhora é apenas testemunha, não precisando de advogado, porém se no decorrer da investigação surgir algum indício de envolvimento da Senhora com a vítima, a Senhora será informada de todos os seus direitos.
____Vocês sabem a causa da morte.
____Ainda não. Serão necessários mais exames, o corpo passará por necropsia e daí então saberemos o que causou a morte.
_____Estou liberada?
_____Sim. Já foram coletados os indícios necessários.
Após o interrogatório perguntei-me: será que ele tem filhos, esposa, mãe? Será que tem alguém aflito a esperá-lo? Qual será a sua história, para acabar morto na porta de uma desconhecida? Onde será que ele foi Morto?
E, então!!!!
Tá Lá o corpo estendido no chão.
 

Sônia Maria Bertozzi Bernardo





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